domingo, 8 de fevereiro de 2015

Partidas e Cruzadas


No cenário de autores nossos, merece mencionarmos a escritora Fabíola Weykamp.
Chamou-nos a atenção sua criação em prosa na qual encontramos esse texto bem próximo de nossas discussões e inquietações.

E a gente, com aquela nossa mania terrível de ser sempre birrenta, acaba complicando tudo que podia ser tão, mas tão simples. 
É natural que os caminhos da vida se cruzem vez e outra, como é natural, também, que se distanciem – por mais que os nossos desejos em prece peçam o contrário. 
As distâncias devem ser obras de um deus, penso eu. 
Não está em nossas mãos impedir as partidas físicas nem as emocionais. 
É como as ondas do mar que, ao virem, beijam nossos pés, mas segundos depois, estão de volta ao lugar de origem. 
Não fomos nós quem a trouxemos ou quem a distanciamos. 
É coisa de deus. 
Assim, igualmente é com as pessoas que se afastam. 
É assim com os sentimentos que serenam com o tempo. 
Ambos voltam para o lugar de origem. 
Ficam guardadinhos em caixas de recordações, em álbuns de fotografia, em beijo feito tatuagem na pele que não desbota nunca. 
O bom das partidas – sim, há um lado bom nisso também, tem que ter afinal de contas... -, bem, o lado bom das partidas é o que fica conosco. 
Alguém me disse, e me desculpa pela memória fraca, alguém me disse que o amor que sentimos pelas pessoas que partiram não vão com elas..., o amor..., ah! esse fica conosco, independentemente das horas que nunca se acalmam. 
O corpo, veja bem, o corpo envelhece, a cor da gente desbota, a pele enruga, mas, olha quem fica!,  o amor fica intacto – mesmo que guardadinho em caixa de lembranças, que é para não doer tanto diante da ausência do toque, da risada que já esquecemos do tom.
O amor fica intacto. O que fomos quando estávamos juntos permanece à sombra de nossa alma. Fica ali, também quietinho que é para não doer em lágrimas. 
Ora, bem sei que quando há distanciamentos no meio da história as lágrimas são inevitáveis. Eu mesma, dizendo tudo isso, acabo de deixar deslizar uma aqui. 
Mas o gosto é de saudade. 
É de amor que não acaba nunca, mesmo que distante esteja o outro coração tão amado; mesmo que esse coração amado nem bata mais pela gente... o amor de quando fomos alma única: permanece. Ainda que menos afobado..., mas está aí a graça da vida... ou, o que chamam de amadurecer, não? 
É sim, sei que é. 

Fabíola Weykamp tem 25 anos e nasceu em Brasília (DF), mas reside em Pelotas desde que tinha um ano de idade onde graduou-se em Letras pela Universidade Federal de Pelotas,

Um comentário:

  1. Caros P.R e Sueto,
    agradeço o carinho de ser lembrada por minhas palavras -- na época, mais tímidas do que nunca. :)

    Um abraço a vocês, todo amor e felizes dias.

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