domingo, 26 de dezembro de 2010

Ano Novo

Nesta época os humanos ficam agitados.
Correm de um lado para o outro carregando muitos pacotes e falam muito ao telefone.
Perguntei a P.R. do que se tratava e ele me explicou que são as festas de fim de ano.
- Fim de ano? perguntei meio espantada. O ano vai acabar?
- Sim, mas apenas para começar outro.
Sua explicação não me convenceu.
- Mas, neste caso, por que não fazem anos mais longos?
P.R. ficou sem resposta.
É sempre assim, os humanos inventam coisas nas quais encontram a maior lógica do mundo mas só até que alguém as questione. Nestes momentos porque não sabem muito bem o que responder, desconversam. Além disto minha sugestão não seria nada comercial.
Bem, não há de ser esta agitação sem sentido que vai tirar o meu sossego.
Para as cadelas sim, é um inferno.
Uma delas,a Kabul, quando começam a espoucar foguetes, quase enlouquece, creio que por causa da lembrança do Afganistão.
Lembro-me que, doutra vez, também perguntei a P.R. sobre isto.
- Por que estouram tantos foguetes? quis saber.
- É para comemorar.
- Sim, imagino, mas para comemorar o quê?
- Ah, o Ano Novo.
Ano Novo que poderia ser mais longo, assim não haveria tantos anos novos. E evitaria muitos acidentes, muita gente morrendo ou ficando ferida porque tem que chegar depressa em algum lugar ou porque os foguetes empregados para festejar, explodem.
Há também o Natal mas,este, é um pouquinho mais calmo. Não estouram tantos foguetes.
Doutra vez quando quis me informar a respeito, P.R. me disse que é a data do nascimento de Cristo. Como já sei que Cristo também é Deus, então é a data do nascimento de Deus.
Só não entendo como, para comemorar uma data tão importante ( e como é importante, meu Deus!), se reúnam em grupos pequenos para comemorar outras coisas.
Realmente, é nestes momentos que me dou conta de quão pouco entendo a respeito dos humanos.
Ainda bem que P.R. não parece tão envolvido com esta esquizofrenia.
Talvez por isto a gente se entenda tão bem pois se tenho meu lado de humano, ele também tem seu lado de felino.

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domingo, 19 de dezembro de 2010

The Story of Daisy

My cat Daisy is about 8 yrs old. She was given to me by an acquaintance who found her near his home some 3 miles away, about 3 years ago. 6 months later, I had to take her to the vets because one day I came home and found blood everywhere. The vet said I had to change her diet which I thought was a poor excuse! I wasn't happy with their diagnosis and took her to another vet for a second opinion. This vet took a blood sample and said she had a living bacteria which now and again triggers off. Daisy had lost alot of weight and wasn't eating, but gradually with steroids and some force feeding by syringe she got well again. My vet bills amounted to nearly £1000 and I didn't even have pet insurance!

A year later I thought about having a microchip put in, because I was going away and I didn't want other cats coming into the house and eating her food. My friend was popping in everyday to feed her.

To my horror, the vet said she was already microchipped! I couldn't understand why this hadn't been spotted before when she was ill. They said they had to get in touch with owners and may take up to 2 weeks. Luckily within 2 days, the owners were contacted and it was "crunch time" as they said they had to decide whether to take her back.

Daisy previously "Grace" had 2 other brothers and they told me they had them from kittens.

This family who only lived 4 streets away from me. They couldn't understand why I hadn't notified them of Daisy...........I didn't even know she had a chip and she had been lost for a while.

This family apparently moved here in 2006 with the cats and Daisy disappeared within 2 weeks of moving. The family said they delivered "lost" posters of the cat within a radius of 5 miles and knocked on every door. I couldn't believe this as I never knew anything of this. On top of this information, they said they had to go on holiday when they lost "Daisy" and left the in-laws to sort it out. I wonder whether they did a thorough job.

I tell you I was in fear of losing Daisy as she had been good company to me. Afterall that, the family decided to let me keep her as they said it would be too much for their kids. They had a lot of heart ache when she originally went missing and I think they didn't want to fork out the money for the vet bills.

They had already got another kitten plus the other 2 cats, and it wasn't as if they needed anymore disruption.

When I got Daisy's previous veterinary history, I found out that she was from a Cat Rescue centre as she was put there by another owner who was emigrating abroad. She had a dental infection and had to have all her teeth removed except one! So the people didn't have her as a kitten as she was born in 2002!

My mum is looking after Daisy at the moment some 100 miles away in Kent. She has settled in nicely with the other 2 male cats and even put on weight.

I was going to collect her when I go to my mum's for Christmas but I think mum is going to miss her and the other cats.

Well that's all the info I have on Daisy. I will send some carboots photos when I get a chance.

Have a good Christmas.

All the best,
Debbiex

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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Homer, o Papai Noel


Lembram-se do Rommer? Já falei dele, o do chip que vive em Exeter. É uma espécie de primo que tenho na Inglaterra. Os ingleses são meio metidos mas abro uma exceção para o Rommer, afinal sua tutora é a Gabi, que é da família. Na foto está dando uma de Papai Noel mas está mais com cara de presente de Natal do que de Papai Noel. E estou estranhando este olhar atento, cara de quem viu um rato. Agora fiquei na dúvida... será que existem ratos na Inglaterra?

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Debbie, Konni and Me

Por estes dias, graças às visitas de minhas amigas Debbie e Konni, tive oportunidade de praticar meu inglês e meu alemão. Debbie é inglesa e Konni alemã. Na foto estou conversando com Konni , em alemão, é claro. Infelizmente ninguém lembrou-se de tirar uma foto minha com Debbie. Tive alguma dificuldade com seu acento britânico mas nos entendemos perfeitamente. Até porque ela se entende muito bem com os felinos e, inclusive, tem uma gata chamada Daisy. À falta de uma foto nossa vai a que segue abaixo de Debbie com P.R. o qual, para quem ainda não sabe, é quem digita meus textos.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Jurada de Morte

A justiça humana foi complacente com a inglesa Mary Bale, filmada jogando uma gata no lixo e condenada por um tribunal britânico a pagar 250 libras (mais de RS$ 660) de multa.

Bale, que aparece sorrindo cinicamente na foto, foi acusada pela Sociedade Real de Prevenção à Crueldade contra Animais (RSCPA, na sigla em inglês), depois de ter sido flagrada por câmeras de vigilância, em agosto, jogando dentro de uma lata de lixo uma gata que passeava por um muro à sua frente.

Durante o julgamento, Bale, 45 anos, admitiu ser culpada por causar sofrimento desnecessário a um gato. O caso ficou famoso depois que imagens mostrando Bale jogando a gata Lola dentro de uma lata de lixo foram divulgadas pela internet.

Mas se a justiça humana foi leve, o que seria de esperar, a nossa, a justiça felina será implacável. Bale está jurada de morte e onde quer que vá , lá estará um de nós para vingar o seu ato covarde.

Quem viver, e não será a Sra.Bale, verá!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A Farsa dos Gatos Falantes



O video reproduzido acima pretende ser o registro de exemplos de gatos que se expressam oralmente. Uma farsa! Gatos não falam, podem, isto sim, como é o meu caso, pensarem.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Homer, meu amigo inglês

Homer é meu amigo inglês.
Falo pouco com ele e só em inglês. Vive na Inglaterra com a sobrinha de uma das moradoras aqui de casa. Antes morava em Londres mas agora mudou-se para Exeter, no condado de Devon onde fica a cidade histórica de Plymouth.
Soube que há algum tempo, ainda em Londres, Homer perdeu-se e foi identificado graças ao chip que leva no corpo.
Fiquei arrepiada!
Imagina eu ter que levar um chip preso em mim.
Por isto vou levando minha vida por aqui. Até gostaria de conhecer os bairros antigos de Londres, lá devem haver muitos ratos, mas teria que ir de avião e eu tenho medo.
Por isto vamos ver se Homer me escreve. Em inglês, é claro.
Eu estou lendo T.S.Eliot, talvez queira me indicar alguma leitura que seja do seu gosto.
Só espero que não seja Shakespeare... já li tudo...

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Harry, um cão metido à gente

Uma coisa que me irrita nos cães, mesmo que isto já não me afete tanto, é a mania que têm de se acharem gente. Como os humanos ou como os gatos.
Harry, por exemplo, a quem a dona ( sim, porque cachorros, ao contrário de nós felinos, têm donos) concede muitas regalias, frequenta bares e livrarias de Florianópolis chamando de forma exibicionista a atenção sobre si.
Mas só vai a estes lugares porque sua benfeitora, que o apanhou da rua, é escritora e gosta de frequentar lugares onde se reúnem intelectuais.
É de se ver, no entanto, como Harry engana bem!
Tudo pura encenação muito típico dos caninos que tem, este sim, o dom teatral.
O auge de sua atuação consiste em pegar na boca uma garrafa vazia de plástico e sair pelo calçadão da Felipe Schmidt desfilando seu talento de segunda categoria.
Os transeuntes, humanos é óbvio, se encantam.
Nós, os gatos, olhamos isto tudo à distância, dando graças a Deus que fique assim bem demarcado o que nos distingue desta vulgaridade.
Antes de terminar, pois o assunto não mereceria sequer um comentário, corrijo-me do que disse acima quanto a Harry pensar que é gente.
Isto na realidade nem seria possível pois, obviamente, ao contrário dos gatos, cães não podem , como já discuti doutras vezes, disfrutar do dom do pensamento.

domingo, 11 de julho de 2010

Salvem Rambo


Através de Pobres Gatos de la Calle chega-me da Espanha a notícia do sacrifício próximo de um dobermann chamado Rambo. A notícia é a seguinte:

Rambo es un doberman de 10 años de edad en perfecto estado de salud y con todas las vacunas al día.
Su dueña se cambia de casa y ahí donde va no la dejan tener perros.La dueña pensó que lo mejor para el perro es sacrificarlo. Se ha hablado con ella comentándola que existen otras alternativas y ha accedido a regalarlo pero SÓLO NOS DA DE PLAZO HASTA ESTE SÁBADO 10 DE JULIO,POR LA MAÑANA.
El perro es muy muy cariñoso y le encanta estar con gente.Estyá acostumbrado a estar con niños.
Antes convivía con otro perro y se llevaban muy bien aunque la dueña dice que es algo dominante con los perros desconocidos.
Está castrado y vacunado.
Me da mucha pena que tras 10 años de lealtad hacia su familia termine sacrificado, sin tener la culpa de nada....


Será tarde demais? Estamos dispostos , eu e Sueto, a manifestar como seja possível nossa posição inteiramente contrária a este sacrifício.

domingo, 27 de junho de 2010

Cães Pensam?

Outro dia navegando na internet encontrei no ipernity esta foto, como o subtítulo "von den kleinen dingen des lebens" de autoria de um membro que emprega o pseudônimo Sommerpfuetze.
Não preciso esconder o que penso dos cães, ainda que ultimamente tenha revisto alguns pontos,mas confesso que esta foto deixou-me pensativa.
Será que os cães, a exemplo do que atavicamente acontece com os gatos,começam a dominar seus "donos", os humanos ou, de certa forma, a pensar por eles?
Confesso que a foto me deu esta idéia.
É certo que os cães por não terem o mesmo grau de evolução que os gatos tardariam mais a chegar a este resultado. Mas como a evolução mental dos humanos tem regredido pode ser, muito bem, que isto esteja acontecendo.
De minha parte se por um lado tenho observado seguidos atos falhos do humano que me adotou nada me faz supor que os cães da casa tenham evoluído. Pelo contrário, os acho idiotas como sempre, latindo por qualquer coisa e dispostos a tudo por um pedaço de osso.
Bem, é um pensamento que me ocorreu olhando a foto e decidi fazer o registro. Possivelmente a foto demonstra apenas um tipo de carinho existente entre o dono e o animal, mas isto me deixaria enciumada.
Pode ser até que seja exatamente isto que esteja acontecendo, mas como poderia admitir sem reconhecer que temos alguma semelhança com os cães?
Eu não saberia, confesso, lidar com este sentimento.
Sueto

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quarta-feira, 19 de maio de 2010

Notícia Triste

Sueto está arrasada. Hoje, pela manhã, na hora do café, como faço algumas vezes, li os jornais para ela. Sempre fica muito atenta, principalmente quando o assunto é política internacional, um de seus prediletos. Adota , no geral, um ar crítico e até um pouco superior, como se as notícias não revelassem algo que parece conhecer. Hoje, no entanto, teve uma reação diferente. Ao ler a notícia que decidi postar abaixo, sobre um cão deixado morrer de inanição, de imediato foi se deprimindo e inclusive, se me garantissem que isto é possível, deixou escorrer lágrimas. Por enquanto, apenas transcrevo a notícia, publicada no jornal Diário Popular, por mais triste e estarrecedora que seja, embora também, ao mesmo tempo, bastante sintomática dos tempos que vivemos.

Pitbull abandonado morre no Navegantes II

Se constatada a morte por inanição, os donos podem ser responsabilizados por negligência
Pelotas, quarta-feira, 19 de maio de 2010

Foto e Texto: Douglas Saraiva


Um cão da raça pitbull morreu, preso à coleira, no pátio de uma residência no bairro Navegantes II. Segundo relato de vizinhos, o animal foi abandonado pelos donos há cerca de um mês e teria morrido de fome. O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Pelotas foi comunicado da situação mas, sem apoio, não conseguiu intervir a tempo de salvar o cão. O corpo do animal foi recolhido no início da tarde desta terça-feira (18) e passará por necropsia - se constatada a morte por inanição, os donos podem ser responsabilizados por negligência.Conforme populares que acompanharam o caso, o pitbull estaria morto há dois dias. Até esta manhã, porém, o corpo do animal ainda não havia sido retirado do local. De acordo com a aposentada Sandra Medeiros, o pitbull foi abandonado pelos donos e matava outros cães que entravam no pátio para alimentar-se. Temendo pela vida do animal e pela segurança, em caso de ele se soltar da coleira, os vizinhos entraram em contato com os proprietários e com o Centro de Controle de Zoonoses.
No pátio dos fundos da casa, uma cadela sem raça definida, também pertencente aos residentes, sobrevive graças à atenção de outros moradores da rua. A reportagem tentou por três vezes contato telefônico com os proprietários da residência, sem sucesso.A coordenadora do Centro de Controle de Zoonoses, Dóris Schuch, confirmou que o centro foi informado da situação, mas não conseguiu chegar até o animal. “Fomos até a casa mas os moradores estavam lá e não permitiram a nossa entrada. Chegamos a levar ração mas tivemos dificuldade de chegar até o cão. Não podemos invadir uma residência, a não ser com um mandato de busca”, disse.Dóris solicitou o apoio da Brigada Militar (BM) e da Patrulha Ambiental (Patram) mas ambas alegaram falta de efetivo e não puderam ajudar. “Com as negativas, encaminhamos a solicitação à promotoria do Ministério Público que é quem poderia autorizar a entrada da Brigada Militar, para nós irmos junto. Infelizmente, desta vez não conseguimos chegar a tempo.” A coordenadora lembrou ainda que denúncias de maus-tratos contra animais podem ser feitas diretamente ao CCZ, pelo telefone: (53) 3284-7731

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Gatos Desaparecidos

Buenos Aires aparentemente não tem apenas poucos cães de rua, também não são vistos gatos como, por exemplo, em Paris ou Amsterdam.
O que não faltam são pombos e estes cães levados em bandos a passear pela coleira.
Soltos, apenas um ou outro, normalmente caminhando ao lado do dono.
Mas onde andarão os gatos?
Vi apenas um, quase escondido por detrás de uma vidraça escura, como se estivesse me vigiando.
Eis aí um mistério que, da próxima vez, vou investigar melhor. Estará em andamento alguma trama secreta da qual os gatos fizessem parte? Há algo muito estranho nisto tudo.
Até por ser uma cidade que mantém muitos prédios antigos, supõe-se ter muitos ratos.
E, por conseguinte, muitos gatos.
Pergunto-me se não teriam desaparecido nos tempos da cruel ditatura militar.Os gatos são muito independentes para serem bem aceitos por regimes autoritários.
Mas neste caso porque não foi promovido nenhum protesto, comuns por aqui,na Plaza de Mayo ou em frente ao Congresso, com recolhimento de assinaturas para a criação do movimento: "Frente Argentina dos Gatos Desaparecidos".
Ao falar desta idéia com a Sueto ela disse que pode redigir o manifesto.
Sabia que tinha conhecimento de inglês e de francês mas sempre demonstrou verdadeiro desprezo pelo espanhol.
Surpreendeu-me mais uma vez...

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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Reencarnação




A Sueto anda retomando às suas leituras.
Vejam o pensamento que encontrou e veio me mostrar :

"Pessoas que odeiam gatos, ressurgirão como ratos na próxima encarnação"

A idéia é horripilante e quando vejo uma ilustração como a acima, que ela descobriu em algum lugar para me mostrar, confesso que tenho pesadelos.

O original é inglês, “People that hate cats, will come back as mice in their next life”, pelo que Sueto comentou de Faith Resnick. Acima é a tradução que fiz a seu pedido.
Seu inglês tem deficiências, é mais proficiente no francês.
Mas não gosta de admitir que tenha pouco conhecimento de inglês, prefere argumentar que lhe interessa pouco, que é um língua muito comercial, etc., etc.
Talvez até para reforçar este ponto dedica-se a estudar francês.
Além disto, quando precisa ler algum texto em inglês, socorre-se de mim.
Faz isto, no entanto, não como um favor que me pede, mas como uma espécie de dever que tenho.



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segunda-feira, 1 de março de 2010

A Morte da Borboleta

Confesso que até hoje não sabia do que se alimentavam as borboletas. Não sabia nem se alimentavam-se. Até hoje porque, esta tarde, percebi uma agitação no terraço e subi para verificar.
A cena que presenciei deixou-me estarrecido.
A Faluja acabara de caçar uma borboleta que estava no chão à sua frente, com uma das asas esfacelada.
Como estava viva peguei o pobre inseto e o trouxe para baixo.
Verifiquei então que ainda podia voar, mas vôos curtos, sem condições de ganhar altura e ir embora.
Sem saber bem o que fazer cheguei a pensar em sacrificar a infeliz borboleta.
Decidi, no entanto, tentar salvá-la ou, pelo menos, deixá-la morrer com dignidade.
Ou talvez pudesse, quem sabe, prolongar sua vida?
Saí, com este pensamento, à procura de informação sobre as borboletas e descobri que têm semelhanças com o beija-flor pois, assim como eles, alimentam-se de néctar e do suco das frutas.
Peguei, assim, um pedaço de fruta e deixei diante dela.
Não era muito o que eu podia fazer mas, pelo menos, me aliviava um pouco esta tentativa de reparar o mal que já estava causado.
E, desta vez, não pela Sueto mas por sua vizinha, Faluja, do andar de cima.
Começo a ter que admitir que meus adoráveis felinos, quando despertam de seu sono letárgico, podem se tornar terríveis predadores.
Quanto à borboleta sobreviveu uns dois dias, depois morreu.

P.S. Recebo de Clara Castelar esta foto com este comentário: Eis uma das mariposas que nos visitam. Nabokov costumava atraí-las com uma mistura de mel e água,  passada nos troncos das arvores.


domingo, 31 de janeiro de 2010

Pura Maldade

Esta noite fiquei até bem tarde escrevendo ao computador e, quando saí, Sueto saiu na minha frente, como costuma fazer, como que querendo me indicar o caminho e eu pudesse não saber me orientar dentro de minha própria casa até porque, embora grande, todas as peças se interligam através de um longo corredor!
Ela, porém, sempre gosta de fazer isto.
Na verdade, estou convencido, como supõe que vou chegar na cozinha ( a probabilidade é bem grande) antecipa-se para conferir se não vou lhe dar nada para comer.
E, de fato, não deixa de ter razão pois me encaminho para lá. e acabo obsequiando-a com um punhado de ração.
É , então, que me deparo com a cena triste de uma lagartixa estendida no chão, morta e já sendo devorada por formigas ( de onde saíram, como percebem tão prontamente um acontecimento aparentemente tão insignificante?)
Concluo rapidamente que o pobre bichinho foi sacrificado pelo "anjinho" que se roça nas minhas pernas emitindo um miadinho inocente.
Como podem os gatos serem tão espontaneamente assassinos, por prazer ou curiosidade e, quase no mesmo momento, tão meigos e ingênuos?
Enquanto a Sueto segue beliscando sua ração que poderia servir para aplacar seu instinto pedrador, mergulho numa reflexão.
Mas não chego a concluir nada.
E talvez porque vou dormir com esta inquietação, acabo acordando no meio de algo que poderia ser um pesadelo pois lembro que, em algum momento, me transformara numa lagartixa.
Aproveito, já de pé, para ir a cozinha e beber um copo d'água. Noto, então, que Sueto não está deitada em sua almofada como de costume.
Chamo-a e nada...
Como estou com sono deixo-a de lado e volto a dormir.
Apenas no outro dia, tomando meu café da manhã, tenho minha atenção solicitada pela empregada que, varrendo a casa, encontra alguma coisa que vem me mostrar.
Pois confesso que é com um pressentimento pouco confortável que a vejo trazer, na pá de lixo que empunha, uma outra lagartixa atacada da mesma forma que a primeira. Até mais dilacerada como que vítima de um ataque de maior ferocidade.
Num movimento meio instintivo olho ao redor para encontrar Sueto que, de volta à sua almofada, espicha-se adormecida...