quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Harry, um cão metido à gente

Uma coisa que me irrita nos cães, mesmo que isto já não me afete tanto, é a mania que têm de se acharem gente. Como os humanos ou como os gatos.
Harry, por exemplo, a quem a dona ( sim, porque cachorros, ao contrário de nós felinos, têm donos) concede muitas regalias, frequenta bares e livrarias de Florianópolis chamando de forma exibicionista a atenção sobre si.
Mas só vai a estes lugares porque sua benfeitora, que o apanhou da rua, é escritora e gosta de frequentar lugares onde se reúnem intelectuais.
É de se ver, no entanto, como Harry engana bem!
Tudo pura encenação muito típico dos caninos que tem, este sim, o dom teatral.
O auge de sua atuação consiste em pegar na boca uma garrafa vazia de plástico e sair pelo calçadão da Felipe Schmidt desfilando seu talento de segunda categoria.
Os transeuntes, humanos é óbvio, se encantam.
Nós, os gatos, olhamos isto tudo à distância, dando graças a Deus que fique assim bem demarcado o que nos distingue desta vulgaridade.
Antes de terminar, pois o assunto não mereceria sequer um comentário, corrijo-me do que disse acima quanto a Harry pensar que é gente.
Isto na realidade nem seria possível pois, obviamente, ao contrário dos gatos, cães não podem , como já discuti doutras vezes, disfrutar do dom do pensamento.