sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Fim de Ano



Todo fim de ano Sueto fica diferente.
E, contrariamente à agitação que parece tomar conta dos humanos, fica mais recolhida, mais ensimesmada.
Doutra vez já a indaguei sobre isto e me disse que não alcançava compreender o que se passa com os humanos neste período.
Tentei lhe explicar, expus que se trata de um período festivo no qual coincidem os festejos de Natal, relativos ao nascimento de Cristo, com os de fim de ano.
Mas confesso que não tive muito sucesso.
Aliás não só não pude ser convincente como passei eu próprio a duvidar dos argumentos que empregava para convencê-la do sentido destas tradições.
Este ano, portanto, nem falamos a respeito.
Definitivamente as chamadas “festas” não a impressionam nem a entusiasmam enquanto eu próprio  passo a não lhes dar maior atenção que a de muitos outros eventos.
Isto não significa, no entanto, que não tenham importância.
Mas passo a não ver outra mais forte que não seja comercial ou meramente decorrente de um costume mantido por uma questão de propaganda.
Não me abalo, portanto, a dizer Feliz Natal a todo mundo nem ajo como se o Ano Novo fosse o momento mais importante, a ponto de ter que ser saudado com foguetórios e grande euforia, dos últimos 365 dias.
Ao alcançar este entendimento tenho também com Sueto uma espécie de cumplicidade, de comunhão. Estamos do mesmo lado na compreensão do mundo e das manifestações dos humanos.
Fico também agradecido, pois com suas indagações, seus questionamentos, até mesmo com suas ironias, ajuda-me a tirar algumas conclusões.
Tomo-a, então, em meus braços e a aperto.
Sueto querida, lhe digo, obrigado por tudo.
Sua resposta, pois não se manifesta doutra forma, se dá através do olhar.
E é o quanto me basta.
E quando olho ao meu redor e vejo os humanos estourando foguetes e abrindo garrafas de champanhe , abraçando-se uns aos outros de uma forma que não fariam outra vez ao longo do ano, não me sinto muito afetado.
Pois já recebi de um felino, um felino muito especial, é verdade, a retribuição que nem de um humano esperaria ter.
Sueto, mais uma vez obrigado.
Ah, e Feliz Ano Novo.