sábado, 10 de janeiro de 2015

Quando Ismália enlouqueceu














Não sei o que anda ocorrendo com Sueto.
Cheguei a pensar que fosse saudade do Gato Pardo.
Mas não é.
Isto é, acho que não.
Parece algo mais profundo, mais particular.
Algo que toca o seu momento de vida, a sua forma de ver o mundo.
No entanto, não me disse nada, nem vou perguntar.
No momento certo acho que me diz. 
Fica ouvindo Vivaldi o tempo todo e, para minha surpresa, deu de recitar poesia.
Para ouvidos desatentos poderia apenas parecer que mia.
Eu, contudo, posso ouvir nitidamente... 

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar

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