terça-feira, 6 de setembro de 2011

"Think carefully...."

Sueto acordou no meio da noite sobressaltada.
- Que foi? perguntei-lhe meio sonolento.  - Mais um de seus pesadelos?
Sueto tem tido sonhos intranquilos.
Segundo me revelou o que mais a tem perturbado é o pesadelo de que acorda transformada em um ser monstruoso.
-- Uma barata? perguntei-lhe inicialmente para não fugir de seus pendores literários.
-- Não, revelou-me, algo muito mais horrível.
Tinha demorado um tempo, depois de ter tido o mesmo pesadelo algumas vezes, para que eu entendesse que o "ser monstruoso"  no qual temia se acordar transformada, era um humano.
-- Mas os humanos são monstruosos assim? ainda tentei argumentar para contestar a razão de sua perturbação.
Sueto nem me respondeu o que me fêz concluir que, efetivamente, devem ser.
Sequer tentei argumentar, dentro do terreno que lhe agrada, que o fenômeno poderia ter alguma coisa a ver com suas leituras, de Kafka especialmente.
Mas o motivo da perturbação de Sueto esta noite era outro.
Era uma mensagem que acabara de receber e que, tão logo adquiri consciência saindo de meu sono, me mostrou. Dizia apenas:  
"Think carefully. Com Motzie não se brinca."
-- Motzie, quem é Motzie? ainda perguntei mas logo que me arrependi.
Sueto não respondeu .
Em vez disto, me cravou um olhar tão aterrorizante que, instado pela sua força e pelo seu desespero, em seguida me dei conta.
Motzie, o gato que dá sumiço em cães!
Agitado me levantei e permanecemos, eu e Sueto, o resto da noite insones.
E não houve mais nada, nem mesmo herbal tea , que pudesse nos trazer de volta a tranquilidade.
Isto é o que dá, pensei comigo mesmo, ficar mexendo com a natureza íntima das coisas.

Um comentário:

  1. I find this charming. Sueto deserves a book. She is probably the most adorable philosopher ever to grace the Patropi.

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