quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

TANGO

Um dia Tango me apareceu na praia.
Cães de rua perambulam de um lado para o outro, em grande número, em condições miseráveis.
Tango estava num estado lastimável de infestação por sarna, sem pelos, praticamente só com a pele.
Fui então dando-lhe ração e água e procurando combater a sarna.
Demorou um tempo mas, finalmente, chegou o dia em que seu pelo foi se recuperando só ficando a descoberto uma parte que  dava a impressão de ter sofrido uma queimadura.
Essa queimadura passou a ser a sua marca registrada.
Logo a seguir de cão de rua passou a ser cão de pátio.
Como não moro na praia costumava vê-lo , quando não todos os dias, em dias alternados.
Adorava sair a caminhar comigo e eu com ele.
Uma noite de fim de ano, no entanto, cometi um erro do qual nunca me perdoo.
Deixei-o sozinho na casa, que é fechada na frente com tela, uma tela alta.
Quando fui vê-lo no outro dia já não o encontrei.
Tinha cavado um buraco por baixo da tela e se foragido certamente assustado com os fogos.
Procurei-o por um bom tempo, sempre buscando, além da sua aparência, pela marca da queimadura.
Em vão.
Desde então todo fim de ano lembro-me do ocorrido e fico profundamente triste.
E reforço meu convencimento de que os fogos devem acabar.
Prometi isto a mim mesmo e pela memória de Tango já que sei que a mim nunca vou perdoar. 

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