sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

As Máscaras de Veneza

Sueto tem uma predileção toda especial por Veneza.
Já tinha comentado com ela que fiquei com a impressão de que Veneza tinha me parecido um ambiente propício para gatos e, embora isto possa ter mudado, lembro de vê-los presentes em muitas situações.
Há muitas coisas na atmosfera da cidade com as quais Sueto se identifica. As vielas estreitas, os canais, as pontes, o casario antigo, Vivaldi, Casanova, Thomas Mann e a Morte em Veneza de Visconti.
Mas, em particular, há também o Carnaval e o seu clima de farsa, de teatro.
É um momento de metamorfoses, de invasão de seres híbridos, surgidos misteriosamente de sob a superfície do cotidiano.
São seres os mais variados, normalmente apenas poéticos, outros, no entanto, bem bizarros, meio gente, meio animais.
Alguns visivelmente são humanos e apenas recobrem o rosto com uma máscara. Mas, em certos casos, fica no ar um mistério. Sueto se sente atraída de tal forma por Veneza que imagino se não teria com a cidade um vínculo mais forte. É quando, levado talvez pela imaginação, tenho a sensação de que os seres que me olham por detrás das máscaras, seres que noutras circunstância nos pareceriam absolutamente desprovidos de mistério, escondem alguma revelação, alguma relação mais profunda com a natureza.
Tenho a sensação , até mesmo, que em algum momento é a própria Sueto a me fitar com um olhar enigmático, ao mesmo tempo felino mas também evocativo de outro reino.
É quando me vem à mente os versos de Rilke.
Est-il d'ici ? Non, des deux. empires naquit sa vaste nature.

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