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domingo, 30 de outubro de 2011

Quartetos de Beethoven



Os quartetos de Beethoven dão a sensação de representarem um tipo de conversa com o Destino.
Por momentos, aqueles que duram a audição, alguma coisa muito poderosa se desvenda mas ao mesmo tempo se esconde à medida que o concerto avança,
O que há de se passar antes que chegue ao fim?
E vai chegar ao fim?
Este fim, por sua vez, representa o quê?
Para um simples concerto que depois de uns poucos minutos se encerra, o que se manifesta é um tipo de magia que nos transporta para os limites de nossa humana capacidade de percepção e sensibilidade.
É uma experiência a um tempo gloriosa e dolorosa na medida em que o enlevo da música se apresenta entrelaçado com a consciência não só de nossos pobres dotes de adentrar inteiramente as fronteiras deste mundo etéreo mas, particularmente, de nossa condição existencial.
É como chegar ao cume de uma longa escalada e tomarmos consciência , ali no topo da montanha tão ardentemente almejado,  que chegamos ao nosso limite e só encontrarmos em torno a nós o grande vazio das cordilheiras perfiladas ao infinito.
Sem asas para voar mas tampouco sem ver sentido em voltar à condição humana que deixamos para trás.

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